Feridos pelo golpe cruel da separação de um ente querido que a morte nos veio arrebatar, sentimos consolo em vê-lo partir para a vida eterna confortado com os últimos sacramentos e entre as orações da Santa Igreja. Mas, ai! Como é triste ver traiçoeiramente surpreendido pela morte, ainda afastado dos sacramentos, esquecido de sua alma, tão longe, enfim, de Deus, alguém que esperávamos ver convertido e por cuja conversão tanto rezáramos! Partir assim, sem se reconciliar com Deus! Que grande lástima! Cruel pensamento para uma alma verdadeiramente piedosa! Entretanto, ninguém deve desesperar da salvação de quem quer que seja. A Igreja que, na canonização dos santos, declara que certo justo que está no Céu, jamais permitiu que se publicasse um decreto declarando alguém no inferno. São Francisco de Sales não queria que até o último suspiro dos pecadores se desesperasse da conversão destes, nem que se julgasse mal dos que morressem após uma vida má. E dava esta razão:

“Nem a primeira graça, nem a última, que é a perseverança, são méritos nossos. Ambas são gratuitas. Entre o último suspiro de um moribundo e a eternidade, há um abismo de misericórdia, e abismo insondável. Entre Deus e a alma se passam certos mistérios de amor que só no Céu conheceremos um dia”

Console-nos, pois, o pensamento de que no Céu nos esperam muitas SURPRESAS DA MISERICÓRDIA DIVINA!