São Pedro de Alcântara, prodígio de penitência e de oração, viveu sofrendo. É de apavorar o que dele escreveram os seus biógrafos. Quanto não padeceu de disciplinas, jejuns, calúnias, perseguições, maus tratos, martírios cruciantes! Viveu no Calvário, observou toda a austeridade dos anacoretas. Nosso Senhor não se deixa vencer em generosidade. O Céu é recompensa tão grande e tão desproporcionada aos maiores sofrimentos desta vida, que tudo é pouco para tão grande glória! São Pedro de Alcântara, no esplendor da glória, aparecendo a Santa Teresa, disse-lhe, como o vencedor que recebeu a palma do triunfo:

“Feliz penitência! Oh! sim, feliz penitência que me alcançou tamanha glória!”

Quando, nesta vida penosa e triste, certos golpes, reveses e privações nos custarem o sangue do coração! Coragem! Vamos! Um olhar para o Céu! Seja a nossa penitência, a penitência que nos mandar Jesus, isto é, a contrariedade, o revés, a doença, tudo, tudo o que vier das mãos de Deus! Mais vale aceitar resignadamente a cruz que Nosso Senhor nos põe sobre os ombros do que procurar voluntariamente outras, cujo peso nossos ombros tão fracos talvez não possam suportar! Eia! Coragem! Tudo passa! Soframos o dia só desta vida, e teremos o gozo eterno. No Céu nos alegraremos de ter sofrido aqui. Oh! feliz penitência que nos dará tanta glória!