Das 3 às 4 da tarde Jesus morto

Das 3 às 4 da tarde Jesus morto

Das 3 às 4 da tarde

Jesus morto é trespassado com um golpe de lança.

Oração antes de cada Hora

 
A deposição da Cruz

 

Meu Jesus morto, toda a natureza lançou um brado de dor quando Tu expiraste e chorou a Tua Morte dolorosa, reconhecendo em Ti o seu Criador. Milhares de Anjos sobrevoam em volta da Cruz e choram a Tua Morte; eles adoram-Te como nosso verdadeiro Deus e acompanham-Te ao Limbo, aonde vais beatificar tantas almas que desde há séculos aspiram ardentemente por Ti. Meu Jesus morto, não consigo separar-me da Tua Cruz, nem me sacio de beijar e voltar a beijar as Tuas Santíssimas Chagas, que me falam com eloquência de quanto me amaste; ao ver as dilacerações horríveis, a profundidade das Tuas Chagas que deixam a descoberto os Teus ossos, ai, como me sinto morrer! Quereria tanto chorar sobre estas Chagas, para as lavar com as minhas lágrimas; quereria tanto amar-Te, ao ponto de Te curar totalmente com o meu amor e devolver a beleza natural à Tua Humanidade irreconhecível; quereria ficar sem pinga de sangue, para encher as Tuas veias vazias com o meu sangue e chamar-Te de novo à vida.

Ó meu Jesus, o que não pode fazer o amor? O amor é vida; e eu, com o meu amor, quero dar-Te vida e, se não basta o meu, dá-me o Teu Amor e com o Teu Amor tudo poderei; sim, poderei dar vida à Tua Santíssima Humanidade. Ó meu Jesus, mesmo depois de morto queres mostrar-me que me amas, atestar-me o Teu Amor e dar-me refúgio, um abrigo no Teu Sagrado Coração; por isso, um soldado impelido por uma força suprema, para ter a certeza da Tua Morte, trespassa o Teu Coração com uma lança, abrindo nele uma Chaga profunda; e Tu, meu Amor, derramas as últimas gotas de Sangue e Água, que existem no Teu ardente Coração.

Ah, quantas coisas me diz esta Chaga aberta pelo Amor! E se a tua boca está muda, fala-me o Teu Coração e sinto que me diz: “Meu filho, depois de ter dado tudo, quis ser trespassado por esta lança, a fim de abrir um refúgio para todas as almas neste Meu Coração. Este, aberto, gritará continuamente a todos: Vinde a Mim se quereis ser salvos! Neste Coração encontrareis a santidade e sereis santos, achareis alívio nas aflições, a força na fraqueza, a paz nas dúvidas e a companhia no abandono. Ó almas que me amais, se Me quereis amar verdadeiramente, vinde habitar sempre neste Coração; aqui encontrareis o verdadeiro Amor para Me amar e chamas abrasadoras para vos queimarem e vos consumarem todas pelo Amor. Tudo está centrado neste Coração: aqui estão contidos os Sacramentos, a Minha Igreja, a vida da Minha Igreja e a vida de todas as almas. Neste, sinto também as profanações que se fazem contra a Minha Igreja, as maquinações dos inimigos, as setas que lhe lançam, os Meus filhos espezinhados, porque não há ofensa que este Meu Coração não sinta. Por isso, Meu filho, a tua vida seja neste Meu Coração; defende-Me, repara-Me e conduz-Me todos para ele».

Meu Amor, se uma lança feriu o Teu Coração por mim, rogo-Te que também Tu com as Tuas mãos firas o meu coração, os meus afetos, os meus desejos e todo o meu ser; não exista nada em mim que não seja ferido pelo Teu Amor. Uno tudo às penas dilacerantes da nossa querida Mãe, a qual, pela dor, ao ver dilacerar o Teu Coração, desfalece de dor e amor e, como pomba, voa para ele, a ocupar o primeiro lugar, para ser a primeira Reparadora, a Rainha do Teu próprio Coração, a Medianeira entre Ti e as criaturas. Também eu quero voar com a minha Mãe para o Teu Coração, para escutar como Ela Te repara, e repetir as Suas reparações por todas as ofensas que Tu recebes. Ó meu Jesus, neste Teu Coração ferido, encontrarei a Vida; assim, quando estiver para fazer qualquer coisa, beberei sempre dele. Nunca mais darei vida aos pensamentos, mas se quiserem viver, tomarei os Teus. O meu querer nunca mais terá vida, mas se quiser ter vida, tomarei a Tua Santíssima Vontade; o meu amor nunca mais terá vida, mas se quiser viver, tomarei o Teu Amor. Ó meu Jesus, toda a Tua Vida é minha, esta é a Tua Vontade, este é, também, o meu querer.

 

 

Jesus é deposto da Cruz

 

Meu Jesus morto, vejo que os Teus discípulos se apressam a depor-Te da Cruz; José [de Arimateia] e Nicodemos, que até então estiveram escondidos, agora, com coragem e sem nada temer, querem dar-Te sepultura honrosa e por isso pegam em martelos e turqueses para realizarem o ato sagrado e triste de Te despregarem da Cruz, enquanto a Tua dolorosa Mãe estende os Seus braços maternais para Te receber no colo.

Meu Jesus, enquanto Te despregam, quero também eu ajudar os Teus discípulos a suster o Teu Santíssimo Corpo e, com os pregos que Te tiram, prega-me totalmente a Ti e, com a Tua Santa Mãe, quero adorar-Te e beijar-Te e depois fechar-me no Teu Coração para nunca mais sair dele.

 

Reflexões práticas

Depois da Sua Morte, Jesus, por nosso amor, quis ser ferido por uma lança; e nós, deixamo-nos ferir totalmente pelo Amor de Jesus? Ou então deixamos-nos ferir pelo amor das criaturas, pelos prazeres e pelo apego a nós mesmos? Também a frieza, a escuridão e as mortificações interiores e exteriores são chagas que o Senhor faz na alma; se não as recebemos das mãos de Deus, ferimo-nos a nós próprios e as nossas chagas aumentam as paixões, as fraquezas, o amor-próprio e, numa palavra, todo o mal. Ao contrário, se as recebemos como chagas provocadas por Jesus, nestas chagas, Ele colocará o Seu Amor, as Suas Virtudes e a Sua Semelhança, que nos farão merecer os Seus beijos, as Suas carícias e todos os estratagemas do Amor divino. Estas chagas serão vozes contínuas que O chamarão e O obrigarão a ficar sempre connosco.

Ó meu Jesus, a Tua lança seja a minha sentinela e me defenda de qualquer chaga das criaturas.

Jesus faz-se descer da Cruz e colocar nos braços da Mãe; e nós, depomos nas mãos da nossa Mãe todos os nossos temores, as nossas dúvidas e as nossas ansiedades? Jesus repousou no colo da Divina Mãe; e nós, deixamos que Jesus descanse, afastando os nossos medos e as nossas agitações?

Todos: Minha Mãe, com as Tuas mãos maternais, tira do meu coração, tudo aquilo que possa impedir Jesus de descansar, em mim.