A vida espiritual, após as consolações dos primeiros dias, transforma-se, às vezes, num deserto árido. Desaparece o amor sensível. É uma provação e das mais angustiosas. A Divina Providência nos prepara o Purgatório doce do Amor aqui na terra, nas trevas e no deserto. Santa Teresinha amou a Jesus, desinteressadamente, neste deserto. Ela só queria Jesus. Era o amor levado ao heroísmo.

“Amemos a Jesus, escreve à Celina, a ponto de sofrermos tudo o que Ele quiser, mesmo a aridez e frieza aparentes. É sublime o amor a Jesus sem o gozo das doçuras desse amor. É um martírio!… Pois bem, morramos mártires! Oh! Minha irmãzinha, desprendamo-nos da terra e voemos para a montanha do Amor, onde encontraremos o belo lírio de nossas almas. Desapeguemo-nos das consolações de Jesus para só a Ele nos unirmos” (1)

Consolai-vos na aridez, almas piedosas e verdadeiramente amantes de Nosso Senhor. Estar com Jesus e amá-Lo, é tudo e é só o que vale neste mundo. Se Jesus está conosco nas delícias, encantos e consolações do amor, alegrai-vos, chorai de amor e reconhecimento. Se, porém, Ele vos convida para o deserto, obriga-vos a segui-Lo, a queimar os pés nos areiais adustos e a suar e padecer, sem alívio e descanso, à beira de uma fonte ou à sombra de uma palmeira, coragem! Segui Vosso Esposo! Basta que O ameis! Não importa sentir o amor.

Oh! Bem poucos são os corações generosos que seguem a Jesus no deserto!