Anjos e demônios – entenda as origens

Anjos e demônios – entenda as origens

Anjos e demônios – entenda as origens

Neste tempo de Quarentena de São Miguel, nada melhor do que entendermos o porquê estamos nesta batalha espiritual, e saber um pouco da origem dos anjos e dos demônios, segundo a doutrina católica.

Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus, a qual, por inveja, os faz cair na morte. A Escritura e a Tradição da Igreja vêm neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo. Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. “Diabolus enim et alii daemones a Deo quidem natura creati sunt boni, sed ipsi per se facti sunt mali – De fato, o Diabo e os outros demônios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus”. (Catecismo da Igreja Católica 391-395)

O pecado é uma invenção angélica. Lucífer era um anjo bom, criado por Deus, assim como todos os anjos. Como ele se tornou mal? Antes de respondermos esta pergunta vale salientar que, Satanás não é um “deus mal”, um outro deus; ele é uma criatura de poder limitado. Deus só há um!

O pecado dos anjos

“Com efeito, se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas lançou-os nos abismos tenebrosos do Tártaro, onde estão guardados à espera do Julgamento”. (2Pd 2, 4)

Os anjos caídos fizeram uma opção livre e irrevogável de rejeição a Deus. Portanto, não há mais conversão para o demônio (CIC 393). Não significa que Deus não pode dar o perdão ou que sua Misericórdia é deficiente.

Em seu livro, Summa Daemoniaca, Pe. José Fortea descreve como foi a queda dos anjos, baseado em revelações que os demônios foram obrigados a fazer em diversos exorcismos.

No Princípio, quando Deus criou o seu exército celeste, não se revelou de imediato para ele. Existiu um tempo (eon) para os anjos, onde puderam ter o seu antes depois. Este tempo é diferente do nosso (cronos). Eles tiveram uma chance para aceitar de livre vontade a Deus. Enquanto Deus não se revelava eles intuíam quem Ele era, o que era. Por que fazê-los passar por esta prova? Para que eles O amassem livremente, pois é impossível pecar depois de vê-lo.

Palavra de Vida X Palavra de Morte

Neste tempo dos anjos em determinado momento Deus revelou a sua Vontade para os anjos e alguns se recusaram a servi-lo. Segundo Santo Tomás de Aquino, o que provocou a revolta de Lúcifer e outros, foi a revelação da Encarnação do Verbo, pois, eles não queriam servir a um ser tão fraco como o homem.

Começou então a rebelião, liderada por Lúcifer que passou a mentir para os outros anjos, sugerindo que Deus não os amava, que era um ser que os oprimia.

O Apocalipse, narra fatos que acontecem, no nosso tempo (cronos) e no tempo dos anjos (éon), quando diz que o Dragão foi precipitado para a terra; ele entra no nosso tempo, depois de perder a batalha contra Miguel. Deduz-se então, que essa narração é do início da Criação.

Os anjos não têm corpos, então, como eles guerrearam? Eles, como puro espírito, travaram uma batalha ideológica. Quando se representa São Miguel com uma espada, esta é a própria Palavra de Deus; os anjos lutam com ideias, pensamentos, argumentos, enfim, só se combate uma mentira com a palavra verdadeira: “Quem como Deus”!

Esta é a arma de Satanás; as ideias; foi assim que homens influenciados por ideologias maléficas causaram genocídios e tantos outros males no mundo. Esta batalha acontece entre nós, quando tentamos evangelizar alguém, e percebemos que palavra alguma consegue penetrar o coração.

Voltando à história. A revolta dos anjos cresceu a tal ponto, que se fecharam para as graças de conversão que Deus os enviava e passaram a odiá-LO mais.

Fortea fala que há graus de ódio contra Deus entre os demônios. Deus, percebendo que as graças que Ele enviava, só traziam mais sofrimento e faziam o ódio deles aumentar, lhes vira as costas.

É neste momento, quando a escolha de cada um havia sido feita, Deus Se revela em todo o Seu esplendor e, aqueles que, pela fé haviam acreditado n’Ele, são admitidos em sua presença; a liberdade deles está realizada, pois, usaram o tempo que eles tinham para amar a Deus.

Os santos anjos, por isso, vêm no nosso tempo para nos ajudar e nos conduzir à vida eterna. Os demônios também vêm, mas, para nos conduzir a morte eterna. O poder de Satanás não é infinito. Ele seduz quando concentra suas forças espirituais para mentir e nos fazer pecar naquele determinado momento; ele não está em vários lugares ao mesmo tempo.

Santos Anjos tocam trombeta
Anjos mensageiros de Deus

Se os demônios são espíritos, não têm matéria, por que eles podem possuir uma pessoa?

O que há, na verdade é uma influência nos pensamentos, na razão e nas faculdades mentais da pessoa. Quando o exorcista ordena a saída do demônio é sempre através da Palavra, o que faz com que os demônios encarem uma ideia que eles não suportam. Aquela Palavra o faz pensar no que ela significa e isso lhe é insuportável; ir aos pés da Cruz de Cristo, submeter-se.

Alguns nomes são eficazes em exorcismos: Jesus, Maria, São José, São João Paulo II. Este último é porque o Papa fez com que muitos jovens se afastassem do demônio.

A permissão divina da atividade diabólica é um mistério, mas, Deus tira sempre uma grande vitória deste mal. Quanto a nós sigamos o que nos diz São Paulo em Efésios 6, 10-17

“Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.”