A TEIMOSIA

A TEIMOSIA

A TEIMOSIA

 

 


Viviam em Madri dois rapazes que levavam uma vida bem desregrada. Um deles sonhou certa noite que via seu amigo agarrado por uns homens negros e atirado num mar tempestuoso. O mesmo lhe queriam fazer a ele.
Mas o moço no seu desespero recorreu a Maria, prometeu entrar para um convento, e os malvados o largaram então. Viu o infeliz como o Salvador, cheio de cólera, estava assentado sobre um trono e como a Santíssima Virgem lhe implorava a misericórdia. Encontrando-se com o amigo, contou-lhe depois o sonho que tivera.
Mas o amigo se riu do sonho e dele fez pouco caso. Entretanto, pouco tempo depois, tombava apunhalado por uns assassinos. Vendo o outro como se ia realizando o sonho, foi confessar-se, renovou o propósito de ingressar numa ordem e vendeu por isso seus haveres.
Em vez de dar aos pobres o lucro apurado,como tal prometera, esbanjo-o com más companhias e nos vícios.
Em conseqüência do que adoeceu seriamente e de novo teve outro sonho no qual viu o inferno aberto, que o esperava, e o Juiz condenado-o suplício. Novamente recorreu a Nossa Senhora e ela outra vez o atendeu. Sarou de fato, mas recaiu em vícios ainda mais vergonhosos.
Partiu para Lima no Peru, e aí adoeceu vindo parar num hospital. Deus tornou a compadacer-se do infeliz, que se confessou com um padre jesuíta, chamado Francisco Perlino.
Fez solene promessa de mudar de vida, mas não guardou a palavra. Indo certa vez o referido sacerdote visitar uma Santa Casa, muito distante de Lima, nela encontrou o nosso infeliz rapaz, deitado no chão.
E dele ouviu estas horríveis palavras: Desgraçado de mim! Para meu maior sofrimento vem agora justamente esse padre, que vai ser testemunha do meu castigo. De Lima vim pra cá, levando sempre uma vida infame, a qual me atirou na mais horrenda miséria e me leva para o inferno!
Com estas palavras expirou, sem que tivesse o padre tempo de o assistir.
Extraído do Livro: “Glórias de Maria” de São Afonso de Ligório, pags. 270, 271